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Sítios arqueológicos mostram que ocupação humana no estado ultrapassa 11 mil anos

Por Wendy Tonhati e Hellen Camara

Pesquisas do Museu de Arqueologia da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) indicam que o início do povoamento humano no estado ocorreu desde a transição do período Pleistoceno para o Holoceno, isto é, a cerca de 12 mil anos atrás. Estes estudos demonstram a presença humana pré-indígena em sítios arqueológicos do estado nas áreas que dividem os estado de Mato Grosso do Sul e Goiás . Estas  pesquisas foram divulgadas no livro 12 mil anos – Arqueologia do Povoamento Humanos no Nordeste do Mato Grosso do Sul, dos professores pesquisadores Gilson Rodolfo Martins e Emília Mariko Kashimoto

Foram encontrados vestígios em abrigos nos sítios arqueológicos da Casa de Pedra em Paraíso das Águas (MS), onde carvões coletados foram datados em aproximadamente dez mil anos e também em um sítio denominado Alto Sucuriú, no mesmo município. Este sítio está localizado na área do reservatório da Pequena Central Hidrelétrica (PCH) de Porto de Pedras. Nele é possível ver pinturas rupestres, pertencentes às Tradições Geométrica e Planalto, assim como, líticos lascados e carvões de fogueiras, ou seja, vestígios testemunhos de acampamento de caçadores-coletores pré-históricos.

A datação de amostras do carvão arqueológico coletadas nesse sítio indica ocupações consecutivas entre cerca de três mil a 11.400 anos atrás. A escavação feita pelos pesquisadores nesse sítio, resultou na identificação de vários níveis arqueológicos, os quais, até o momento, a datação mais antiga obtida é de cerca de 12 mil anos atrás.

A pesquisa nesse sítio, buscou atender o projeto de salvamento na área de da PCH Porto das Pedras, visando a mensuração dos impactos sobre o patrimônio cultural arqueológico, atendendo as determinações do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em relação à política de preservação de bens culturais do país.

Pesquisas

De acordo com a professora Emília Mariko Kashimoto, coordenadora do laboratório de pesquisa arqueológica, do Museu de Arqueologia da UFMS, há dois tipos de pesquisa arqueológica, a acadêmica, quando um professor se propõe a estudar um determinado sítio, e a arqueologia preventiva, que é resultado da resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) que estabelece que toda obra de impacto no solo deve ser acompanhada de estudos ambientais, relativos às culturas tradicionais e relativo à arqueologia.

Durante décadas, o potencial arqueológico do Centro-Oeste ficou despercebido pelos pesquisadores brasileiros, acarretando prejuízos para a construção de um modelo explicativo sobre as origens do homem no Brasil. Foi somente durante a década de 1970, que ocorreram as primeiras iniciativas acadêmicas visando ao desenvolvimento de pesquisas arqueológicas sistemáticas nos estado integrantes da região central do Brasil. Em Mato Grosso do Sul, os estudos começaram com o estudo dos petróglifos no Pantanal de Corumbá.

A pesquisadora explica que em Mato Grosso do Sul, a pesquisa se tornou mais intensa a partida da década de 1980 com o professor doutor Gilson Rodolfo Martins, chefe da Divisão do Museu de Arqueologia da UFMS, que a partir de 1986, começou a participar de projetos de levantamento e pesquisa sistemáticas e quando foi criado o laboratório de pesquisas arqueológicas, anexado ao Estádio Morenão, na UFMS, mas devido o local não comportar a grande quantidade de material, foi inaugurado em 2008, o Museu de Arqueologia que está instalado na Fundação de Cultura de MS.

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